Não existe capital que não seja humano.
Dinheiros (e outras coisas) quando investidos para obter lucros, juros, dividendos, rendas, são capital ou capitais. Quando usados para o gasto do indivíduo, seja ele assalariado ou capitalista, não é capital. Nenhuma conotação ética ou moral. Apenas um esforço para colocar os pingos nos is e diminuir a confusão.
De uns tempos para cá a expressão Capital Humano aparece com cada vez maior freqüência. Sempre equivocada. Em geral, vem associada ao investimento que é feito com educação e treinamento. O indivíduo que investe em sua qualificação, mesmo que com a única intenção de aumentar seu rendimentos, não está “aumentando seu capital humano”. O indivíduo assalariado pode aumentar seus salários pela maior qualificação. [Pode também ser demitido. Há casos em que professores contratados como Mestres escondem o recém-conquistado grau de Doutor para não serem demitidos em virtude dos maiores salários que seus empregadores teoricamente deveriam pagar-lhes (“Tiro ao Doutor - A mira no professor universitário” de Anna Gicelle Garcia Alaniz – mas isto é conversa para outro post].
O capitalista que estuda, pode utilizar melhor seu capitais para obter maiores rendimentos. Há casos de capitalistas altamente qualificados que foram à falência em grande estilo. [Por exemplo, o Fundo de Investimentos LTMC. Tinha entre seus sócios DOIS Prêmios Nobel e um ex-presidente do FED. Criado em 1994 com o capital de US$ 4 bi em 1998 foi à falência devendo por volta de US$ 200 bi, o que foi considerado uma ameaça sistêmica às finanças americanas e internacionais... Mas, isto, também, é para outro post]
O texto acima estava escrito quando recebi o seguinte texto que é um exemplo irado de anti-economês. Está no site do grande Le Monde Diplomatique em português.

A fraude do conceito de “capital humano”
Imposto pela novilíngua contemporânea que é o discurso neoliberal, o conceito pretende convencer os trabalhadores assalariados de que cada um deles possui um “capital”: sua própria pessoa.
E por aí vai…