Meu primeiro encontro com a prática de Ciência e Tecnologia
Em agosto de 1976 fui contratado para trabalhar no IPT (Instituto de Pes
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uisas Tecnológicas do Estado de São Paulo). Logo no início, meu chefe, o Dr. Luiz Harold Dirickson ciceroneou-me pelo enorme campus da Instituição (na imagem aí ao lado), apresentando-me pessoas e lugares. Ao chegarmos ao prédio que abrigava a Divisão de Engenharia Mecânica e o Laboratório de Metrologia paramos na frente de uma parede branca no meio da qual havia uma porta de um cofre. Nem em filme eu lembrava de hav![]()
er visto uma porta de cofre daquele tamanho. Também, me surpreendeu encontrar um cofre no meio de uma Divisão Técnica. Que valores haveriam ali que precisassem de um cofre para a sua guarda? A porta estava destrancada e por ela entramos em um ambiente refrigerado de cerca de 30 m2. À direita uma porta estreita. Por ela penetramos numa sala pequena. A um lado, prateleiras com diversos objetos. O Dr. Dirickson pegou uma caixa azul estreita e comprida. Abrindo-a com cuidado e reverência mostrou-me o conteúdo. Lá dentro, encaixada no que me pareceu um berço de veludo, repousava uma barra metálica levemente dourada, estreita e longa. Disse-me: ”Este aqui, Roberto, é O metro. Feito a partir de uma réplica do metro original que se encontra em Paris.”
Na prateleira, os objetos vizinhos eram padrões de quilo e outras unidades de pesos e medidas. Foi uma revelação. O que pode haver de mais precioso - num instituto dedicado a pesquisa científica e tecnológica - que um padrão de medida confiável ? Em minha mente jorraram questões que nunca antes me haviam sido colocadas: o que era, de fato, UM metro (veja a resposta aqui em inglês ou aqui em português) ? Quer dizer que para fins práticos havia em Paris uma barra de metal que era O metro e a partir da qual se confeccionavam e aferiam sucessivamente as demais ? E, que, portanto, havia a possibilidade de diferenças nas medições dependendo do como, do quê e para quê fossem feitas as medidas? Era o mundo da tecnologia e da ciência prática que se abria.