O Terremoto de Itacarambi e o Gerenciamento do Conhecimento

Há dias prédios tremeram em SP. Como? Terremoto no Brasil? Não! Estes tremores foram conseqüência de terremoto com epicentro no Chile. Ah! bom !

Mas, ontem, sim. Ocorreu um terremoto em Itacarambi, norte de MG, Brasil, causando uma morte e vários feridos. Para minha incredulidade o epicentro estava a alguns quilômetros de profundidade naquele ponto do subsolo brasileiro.

Junto com o terremoto desabou um mito da minha infância. Aprendíamos na escola (como ainda hoje se ensina) que no Brasil não ocorrem fenômenos naturais devastadores como furacões e terremotos.

TREMOR Mapa do serviço geológico do EUA mostra onde foi o terremoto, localizado precisamente a 10 km de profundidade nas coordenadas 15.049° sul e 44.199° oeste

(O mapa e as informações acima foram obtidas aqui e aqui)

Nos textos escolares do ensino médio não há a mais remota possibilidade de que estes desastres naturais possam ocorrer no Brasil. Ensinava-se (e ainda se ensina) uma versão pseudo-científica de “País Tropical”, aquela música do Jorge Ben Jor que diz que moramos num país tropical, bonito por natureza, mas que beleza…. O problema não é ensinar “verdades” “científicas”. O grande problema é impingí-las como VERDADES DEFINITIVAS, despidas de sua historicidade, vedadas à curiosidade e ao questionamento como dogmas religiosos e, por último, mas não menos importante, que devem ser DECORADAS PARA A PROVA (ao invés de aprendidas para a vida). Depois não adianta reclamar que o país está nos últimos lugares em ciências… Os professores precisam levar para a sala de aula os conhecimentos atualizados ou, no jargão, o “estado da arte” do conhecimento. Gerenciamento do Conhecimento (Knowledge Management) também é – ou deveria ser- isto aí.

ATUALIZAÇÃO DE 12/12:

A FALHA GEOLÓGICA É MAIS EMBAIXO

Jornais de hoje trazem que o maior terremoto do Brasil ocorreu  no Mato Grosso, com o impacto considerável de 6,3 graus na escala Richter,  em (pasmem!) 1955… Então porque segue esta predominância da visão de “Paraíso Tropical” nas cartilhas escolares e na consciência social? Parece que o buraco, digo, a falha geológica é mais embaixo…

ATUALIZAÇÃO EM 07/05/2014:

Informações úteis divulgadas recentemente sobre este assunto pela FAPESP:

PORQUE A TERRA TREME NO BRASIL

Texto: http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/14/por-que-aterra-treme-no-brasil/ 

Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=W6tOVzxBtrQ

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4 Respostas to “O Terremoto de Itacarambi e o Gerenciamento do Conhecimento”

  1. LUCINEIA Says:

    olá, adorei, tá show, sou universitaria do curso do CEIVA em Januária, estou cursando o 4° período de Geografia e fazendo um Projeto de Pesquisa so9bre o terremoto em Itacarambi.
    Estou tendo alguns problemas com o material da pesquisa, portanto se alguns de voces pudesse me mandar material pelo meu e-mail , ficaria imensamente agradecida por favor, conto com a sua colaboração desde já agradeço.
    lucineia

  2. janete ribeiro Says:

    bom gostaria de fazer uma pergunta esse petroleo todo retirado das camadas da terra nao pode influenciar nos terremotos uma vez que fica espaço no local da retirada ??tambem o petroleo nao ajuda como um isolante termico nas camadas q qdo retirado propicia o alto aquecimento da terra??ou nao ha estudos em cima disso??

  3. Szilard Says:

    Janete,

    Interessante sua pergunta sobre retirada do petróleo e influência nos terremotos. Creio que sim, possa ocorrer um sismo devido a produção de hidrocarbonetos do subsolo, no entanto não seriam sismos de alta magnitude. Isso pode ocorrer pois os terremotos podem ter sua causa intrinsicamente ligada a migrações de gás natural no interior da terra, que permitiriam a liberação de energia sísmica. A produção de petróleo em si não representaria riscos, mas as migrações profundas que atingem níveis mais rasos na crosta terrestre, estas sim, principalmente nos limites de placas tectônicas. Com relação ao isolamento térmico e que a retirada propiciaria aquecimento isso parece não ter procedimento.

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